De 29 a 31 de maio de 2019 foi realizado em Budapeste, Hungria, o congresso anual memoQfest. Trata-se de um congresso em que desenvolvedores e equipe de marketing do programa de tradução húngaro memoQ trocam ideias com usuários vindos do mundo inteiro (tradutores, gerentes de projeto, instrutores, outras empresas tecnológicas) e estes aprendem mais sobre as funcionalidades do programa.
Sou usuário e entusiasta do memoQ desde 2010 e utilizo o programa sobretudo para processar meus projetos de tradução, administrar meus bancos de dados de tradução e terminologia e fazer garantia da qualidade em procedimentos de tradução. Este ano foi a primeira vez em que estive no memoQfest, buscando ampliar meus conhecimentos na área de tecnologia da tradução.
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Passeios e networking em Budapeste antes do congresso

Nesta minha segunda viagem a Budapeste, eu quis ver um pouco mais da cidade, pois na primeira vez, há 2 anos, não tive muito tempo. Infelizmente, desta vez também choveu bastante, o que atrapalhou, mas não chegou a ser empecilho sério.
Durante o longuíssimo passeio guiado pelos dois lados da cidade, pude admirar os pontos de atração turística mais populares – a Praça dos Heróis, as termas de Széchenyi, a Basílica de Santo Estêvão, a Ponte das Correntes, o Castelo de Buda e a Igreja de São Mateus -, ouvindo histórias interessantes sobre a cidade situada às margens do rio Danúbio.
Depois do passeio, foi realizado o primeiro jantar de confraternização: a Welcome Reception no terraço Bastião dos Pescadores, no centro do castelo, que parece saído dos contos de fadas. Eu só conhecia pessoalmente poucos participantes, de modo que houve muitas oportunidades de travar novos contatos.
No segundo dia, participei de um passeio especial pelo bairro judaico de Budapeste. O destaque foi, claro, a Grande Sinagoga na Rua Dohány, cujas dimensões e construção lembram mais uma igreja católica.
O competente guia turístico falou sobre a agitada história da sinagoga, o simbolismo judaico e a importância da comunidade judaica de Budapeste no mundo. Fiquei comovido ao visitar o cemitério das vítimas do Holocausto e a escultura-memorial “Árvore da Vida” doada pelo ator norte-americano Tony. Também no bairro judaico de Budapeste é possível ver as chamadas “Stolpersteine” (em memória dos judeus assassinados pelo nazismo), que eu até então só conhecia da Alemanha.
O bairro judaico mostrou ainda seu lado gastronômico e diversidade artística. Mais tarde, foi realizado o “Pre-Conference Night” – um jantar de confraternização reunindo os participantes do congresso no Museu Etnográfico de Budapeste, prédio de arquitetura impressionante. O memoQfest estava apenas começando.
Na verdade, no mesmo dia do Pre-Conference Night já haviam sido realizadas as primeiras sessões do congresso, na forma de workshops mais longos sobre funcionalidades específicas do programa de tradução memoQ. Porém, resolvi pular essa parte, pois nos dias seguintes haveria inúmeras outras apresentações.
Palestra de abertura: inteligência artificial no mercado de tradução

O memoQfest só foi aberto oficialmente no meu terceiro dia na cidade. As sessões do congresso foram realizadas no mundialmente famoso restaurante Gundel. Após um breve discurso de boas-vindas, Jost Zetzsche proferiu a palestra inaugural sobre Inteligência Artificial no mercado de tradução. Jost, que conheci pessoalmente quando eu ainda era associado à ATA, a associação norte-americana de tradutores, é tradutor técnico e autor de livros, além de uma das figuras de maior destaque mundial na área de tecnologia da tradução. A palestra baseou-se nos dados da pesquisa que ele realizou entre fabricantes de programas de tradução profissional.
Segundo Jost, o conceito de Inteligência Artificial é enganoso, pois as pessoas o usam com a suposição de que as máquinas estariam funcionando como o cérebro humano; o problema é que não conhecemos o cérebro humano suficientemente bem para podermos imitar seu funcionamento de maneira automática. Além disso, o escopo da Inteligência Artificial (IA) é muito maior do que suas aplicações até agora no mercado de tradução: afinal, o objetivo da IA é tomar decisões de validade universal de maneira automatizada com base em dados, enquanto sua aplicação no processo de tradução tem se limitado até agora a prestar auxílio na tomada de decisões não automáticas em áreas específicas (a exemplo da tradução automática como etapa preparatória para o processamento da tradução por um tradutor humano).
A aplicação universal da IA como substituta completa de tradutores humanos – do modo como ela aparece na ficção científica – ainda não é realidade porque a comunicação é um processo altamente complexo e a tradução duplica essa complexidade. Sendo assim, a profissão de tradutor seria a última na qual a Inteligência Artificial se tornaria dominante.
Porém, como participantes do mercado de tradução, não podemos descartar a IA, mas sim devemos aprender como ela pode nos auxiliar em nossos processos altamente complexos – não apenas em procedimentos de tradução propriamente dita, a exemplo da garantia de qualidade (na qual a palavra da moda atual é a chamada Augmented Translation), como também na gestão de projetos.
Apresentações no primeiro dia do congresso
Após a palestra inaugural, houve, em cada bloco de horário, duas palestras simultâneas, nas salas “Elisabeth” (nome da imperatriz austríaca e rainha da Hungria) e “Andrássy” (nome do político e conde húngaro). Escolhi as seguintes:
- “Hidden treasures in memoQ“, apresentação de Angelika Zerfass (Alemanha) – Introdução às funcionalidades pouco conhecidas do memoQ, com inúmeras dicas úteis
- “memoQ magic!“, apresentação de Juliet Macan (Itália) – Mais dicas e truques para esgotar o potencial do memoQ e suas funções únicas
- “The ghost in the machine – what edit distance reports can tell“, apresentação de Steen Kesmodel (Reino Unido) – Resultados de um estudo sobre o tempo de trabalho (distância de edição) em projetos de tradução nos quais foi utilizada a Tradução Automática Neuronal
- “More value from memoQ LiveDocs“, apresentação de Kevin Lossner (Portugal) – Uso da função LiveDocs do memoQ não apenas como ferramenta de alinhamento, mas também, por exemplo, em conjunto com a extração de termos e memórias de tradução externas
- “Audiovisual translation“, palestra curta de Angela Starkmann (Alemanha) – Visão geral do mercado de tradução audiovisual e do uso do memoQ em traduções audiovisuais


Apresentações do segundo dia
No último dia do congresso estive nas seguintes sessões:
- “Terminology management systems comparison: the struggle is real. What I learnt comparing 30 tools“, apresentação de Yulia Akhulkova (Rússia) – Resultados de uma comparação entre 30 ferramentas de gestão de terminologia
- “How to break the 6M followers’ barrier and how trends in social media impact the language industry“, palestra de Doug Lawrence – Dicas para fazer sucesso nas mídias sociais
- “memoQ in the service of your ISO documentation requirements“, apresentação de Ágnes Kmilcsik (Hungria) – Uso do memoQ durante processos de auditoria da qualidade segundo as normas ISO
- “TM Management: Make the most out of what you have“, apresentação de Marie Blanke (Alemanha) – Dicas práticas de gestão de memórias de tradução, inclusive com ajuda de uma ferramenta externa como o Olifant
- “The users strike back“, rodada aberta de discussões com mediação de Peter Reynolds (membro da Diretoria do memoQ) – Perguntas e pedidos dos usuários aos desenvolvedores do memoQ, com troca direta de opiniões sobre funções, limites e futuro do programa


Conclusão: a comunidade memoQ
O memoQfest 2019 foi a perfeita oportunidade de ampliar meus conhecimentos sobre as funções do memoQ, para, posteriormente, poder traduzir de maneira mais produtiva. Outro destaque foi a troca de ideias com aproximadamente 240 participantes do mercado de tradução mundial – que eram, sobretudo, funcionários de empresas de tradução, já que os tradutores estavam em minoria -, cujas perspectivas pude compreender melhor.
Porém, acima de tudo, o congresso foi interessante porque ficou claro o fato de que em torno do popular programa de tradução havia se formado uma verdadeira comunidade, na qual os usuários, desenvolvedores e executivos procuram falar a mesma língua, apesar das opiniões fortes e dos interesses diversos de cada lado. Como uso o memoQ há muitos anos e diariamente, tenho prazer em fazer parte dessa comunidade.
Um grande obrigado a Sándor Papp (Event Marketing Manager do memoQ) pela ótima organização do memoQfest deste ano!
Dados do evento
| Tipo de evento | congresso de três dias em idioma inglês |
| Título | “memoQfest International 2019” |
| Instituição organizadora | memoQ |
| Coordenadores / Palestrantes | diversos |
| Data | 29-31 de maio de 2019 |
| Local do evento | Gundel House, Budapeste, Hungria |
| Resumo dos temas |
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